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Seminário no Pará pede punição para assassinatos no campo

19/06/2017

Seminário denuncia perseguição política e manifestação protesta contra impunidade.

Escrito por: Érica Aragão

A tarde desta segunda-feira (19) foi de fortes emoções para quem esteve presente ou esteve entre os 100 mil que acompanharam pela internet o “Seminário Pela Democracia e Contra a Violência no Campo” no debate sobre "O Contexto de Criminalização das Lutas e os Desafios dos Movimentos Sociais", que aconteceu no auditório do Sindicato dos Bancários, em Belém. No encerramento do seminário, os participantes saíram em manifestação pelas ruas da Capital paraense.

Os sentimentos de justiça e de solidariedade tomaram conta de toda a atividade, mas muitas vezes eram atravessados por palavras de ordem como 'Fora Temer' e 'Diretas Já'.

O seminário teve como objetivo denunciar a violência no campo e encontrar saídas e cobrar justiça para os responsáveis dos assassinatos na disputa por terra. A atividade aconteceu no Pará porque 10 das 37 mortes provocadas por conflitos agrários no Brasil em 2017 ocorreram em um único episódio no município de Pau D’Arco. Prestes a completar 30 dias no próximo sábado (24), a chacina resultou de uma ação de policiais civis e militares que tinha como objetivo cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão. A história é contestada pelos familiares das vítimas e sobreviventes. Eles afirmam que o grupo estava refugiado na mata e foi surpreendido pelos policiais, que já teriam chegado atirando. Alguns conseguiram fugir, mas as vítimas foram torturadas e mortas.

Segundo os participantes do seminário, os assassinatos no campo têm aumentado desde a chegada do governo ilegítimo ao poder. Temer e seus aliados provocaram um grave desequilíbrio a favor da agricultura patronal na disputa em torno do modelo de desenvolvimento rural para o país.

“Disputar o modelo de desenvolvimento rural é primordial. A agricultura familiar é sustentável, produz vida, gera alimento e emprego diferente do agronegócio que produz para exportação, usando venenos, destruindo as terras e as reservas naturais”, ressalta a vice-presidenta Nacional da CUT, Carmen Foro.

A dirigente continuou dizendo que o golpe foi contra toda classe trabalhadora, do campo e da cidade. “O golpista defende os interesses da elite e dos poderosos donos de terras, mas ele esquece que mais de 70% dos alimentos de todo o país vem da agricultura familiar”, lembrou. Carmen disse que a luta contra a violência no campo deve ser luta também do povo da cidade, “porque sem o campo não terá alimento para ninguém”, explicou.  Ela ainda reafirmou que o estado de exceção que estamos vivendo coopera com o aumento dos assassinatos e disse que a luta mais importante agora é de restabelecer a democracia.“Sem democracia não teremos direitos, sem a democracia não teremos participação social, sem democracia tudo que conquistamos irá por água abaixo”, completou.

O presidente da CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), Aristides Veras, complementa dizendo que Michel Temer, através de Medida Provisória (MP 759) colocou as terras brasileiras à venda para estrangeiros. Ele explica que o Brasil tem muita água potável e fará parte do pacote que Temer está entregando para o capital estrangeiro.

“A perversidade do capital é sem limites. Nós queremos nos juntar em defesa da apuração dos assassinatos no Pará e também em qualquer outro canto deste país. A nossa luta é ampla e forte e precisamos continuar juntos para resistir”, destacou.

Para o coordenador geral da FETRAF-Brasil, Marcos Rochinski o lado de Temer é muito claro. Ele citou o atual Plano Safra, em que o governo anunciou o investimento de R$ 30 bilhões para a agricultura familiar e quase R$ 200 bilhões para o agronegócio. “Quem produz alimento para o nosso país? A disputa é de classe e de projeto”, criticou.

Rochinski destacou a importância dos atores Dira Paes e Osmar Prado juntos na luta. “Nós precisamos de Reforma Agrária e Soberania Alimentar e temos que ganhar o envolvimento da sociedade e com a participação de vocês é um grande passo para isso”.

Dira e Osmar, que também fazem partem do Movimento Humanos Direitos, se emocionaram durante o seminário.

Dira, que é paraense, falou um pouco sobre ser funcionária de uma empresa que tem opinião diferente da dela. A atriz destaca que ela tem respeito e seu espaço como cabeça pensante. “A minha presença aqui pode mudar esse olhar de que quem trabalha numa empresa precisa ter a mesma opinião, porque o agro não é pop e não é tudo. Nós temos que nos unir em defesa dos que estão à margem, mas são protagonistas da grande revolução que queremos fazer”.

Osmar Prado relembrou a luta da juventude da sua época que lutava pela democracia e sonhava que este tipo de crime ia acabar. O ator também lembrou que o Brasil não está num estado democrático e de direito. “Sofremos um golpe e precisamos saber o lado que estamos. O lado de lá é muito organizado e tem muito dinheiro. Precisamos estar unidos contra a violência e eu estou junto com vocês”.

Os artistas se solidarizaram com as Ato Nacional Pela Democracia e Contra a Violência No Campofamílias dos mortos na chacina, que estavam presentes no seminário, e Osmar finalizou. “Eu toquei o coração de vocês e vocês tocaram o meu coração. Não pode existir um artista que não se compadeça com a dor do outro".

Geodeth Oliveira, uma das familiares da vítimas da chacina de Pau D’arco falou emocionada.

“Derrubaram 10 lutadores, mas a luta continua. Não desistimos da fazenda, não vão destruir nossos sonhos e não vão nos calar. No próximo sábado (24), quando se completa 30 dias da tragédia, estaremos nas ruas contra a violência no campo”.

Depois destas intervenções, todos e todas que estiveram presentes no seminário foram para as ruas de Belém, no "Ato Nacional Pela Democracia e Contra a Violência No Campo".

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